Itamaraty e Apex-Brasil abrem inscrições para missão de prospecção de negócios no Egito

Estão abertas as inscrições para empresas brasileiras interessadas em participar da missão que o Itamaraty e a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) promoverão ao Egito em 13 e 14 de novembro.

Ainda não há data para o encerramento das inscrições, mas a organização pede que elas sejam feitas o mais antecipadamente possível. Nesta terça-feira (9), cerca de 80 representantes de empresas ouviram detalhes sobre a viagem na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. A entidade apóia a iniciativa.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, vai liderar a missão. De acordo com o diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Itamaraty, Orlando Leite Ribeiro, no dia 13 haverá agenda política e no dia 14 empresarial. Autoridades brasileiras e egípcias, entre elas o chanceler brasileiro e o ministro da Indústria e Comércio do Egito, Amr Nassar, deverão falar no evento que abrirá as atividades do segundo dia.

Está prevista para a manhã do dia 14 a discussão de temas relativos ao comércio do Brasil com o Egito, entre eles as oportunidades de negócios que abre o acordo de livre comércio entre o país e o Mercosul, que entrou em vigor no final do ano passado. Na parte da tarde haverá rodadas de negócios.

“O foco é a promoção das exportações por meio das rodadas de negócios, mas o acesso a autoridades locais das áreas de indústria e comércio pode ajudar a resolver entraves que nós temos em relação às exportações”, disse Ribeiro.

O objetivo da organização é atrair para a delegação os setores de casa e construção, saúde, agronegócio, alimentos e bebidas, e máquinas e equipamentos, nos quais há um mercado potencial no Egito. Falando aos empresários interessados na missão e presentes na apresentação na Câmara Árabe, Ribeiro explicou a fase econômica que o Egito vive, com a implementação de reformas a partir de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), entre elas a adoção do Imposto de Valor Agregado, o corte aos subsídios e a gradual flexibilização da política cambial.

Ribeiro disse que o Egito é o maior mercado do Norte da África e que o país descobriu recentemente o campo de petróleo de Zohr, que deve ajudar a alavancar a economia. Citando estimativa do FMI, ele disse que o Egito deve crescer em média 5,7% ao ano até 2022. “Esse cenário de recuperação e globalização da economia egípcia deverá levar à recuperação das compras externas e a geração de novas oportunidades de negócios”, afirmou.

De acordo com Ribeiro, o Brasil é o sétimo maior fornecedor do Egito, mas as vendas ainda são altamente concentradas, com açúcar, carne bovina, milho, minério de ferro e frango representando 76,3% da pauta. “Por isso a gente estima necessário fazer eventos como essa missão”, disse ele, pensando na iniciativa como uma fomentadora de diversificação da pauta e da promoção de exportação de produtos brasileiros de maior valor agregado.

Ribeiro afirmou que o acordo Mercosul-Egito ainda é pouco conhecido e pouco aproveitado. “É um acordo bastante amplo, que cobre 9.800 linhas tarifárias (itens) e que ainda está subaproveitado”, disse o diretor. Por isso esse será um dos temas do encontro empresarial que será promovido no Cairo no segundo dia da missão. A média de tarifa aplicada pelo Egito às importações é de 19,1%, mas 26% do total dos produtos que integram o acordo com o Mercosul já tiveram o imposto zerado na entrada em vigor do tratado.

A gerente de Estratégia de Mercado da Apex-Brasil, Sueme Mori Andrade, lembrou que o Egito é um mercado naturalmente importador porque não consegue suprir todas as suas necessidades de produtos internamente. Ela apresentou uma análise do mercado para alguns produtos. De 2013 a 2016, o crescimento médio anual das compras de carne bovina in natura pelo país foi de 6,5% e o avanço do fornecimento do Brasil na área foi de 6,93%. No caso de peixes congelados, frescos e resfriados o avanço das compras gerais foi de 32,5% e das vendas do Brasil foi de 123,4%.

O vice-presidente de Relações Internacionais da Câmara Árabe, Osmar Chohfi, abriu o evento na Câmara Árabe e afirmou que o intercâmbio comercial do Brasil com o Egito tem crescido de forma sustentada. Segundo ele, a corrente comercial do Brasil com o Egito atingiu US$ 1,6 bilhão de janeiro a setembro e tem possibilidade de crescer.

O diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, apresentou detalhes sobre alguns segmentos que têm demanda importante no Egito, como o de alimentos. “Arroz e massas são produtos de consumo diário de todas as classes sociais”, disse ele. Alaby citou a área da saúde, que tem potencial em função do crescimento populacional egípcio, e a de máquinas, impulsionada pela agropecuária. “Para vender tem que se mostrar”, falou Alaby para os empresários.

O cônsul comercial e chefe do Escritório Econômico e Comercial do Egito em São Paulo, Mohamed Elkhatib, também falou no encontrou e chamou os empresários a investirem no seu país. Ele falou que as oportunidades para comércio e investimentos no Egito são “ilimitadas” atualmente. Também falou no encontro na Câmara Árabe o gerente do Departamento de Promoção Comercial do Ministério da Defesa, Leonardo José T. de Gusmão.

A missão deve ter ainda representantes de outras áreas do governo brasileiro, além das citadas acima, como o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) e a Secretaria de Governo. As inscrições para empresas interessadas estão abertas na Apex-Brasil (contatos abaixo), mas associados da Câmara Árabe podem fazê-las por meio da entidade.

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